Noite de quarta. Sabe aquela noite que tudo o que mais quer é ouvir a voz da pessoa que você mais ama? Mensagens por computador sempre são tão impessoais. Bate aquela vontade de ouvir de corpo presente.
Ele já tinha conversado pelo msn com Linda, e dado boa noite. Mas a noite para "xis" é meio que sem hora para começar e terminar.
Na Tv o "O Diário de Bridget Jones"
Num quarto de hotel, pegou o violão. Abriu sua pasta com as cifras das músicas que tinha criado algum tempo atrás (entenda música diferente de letra, geralmente os compositores fazem primeiramente a música em sua forma harmônica, ou seja, o próprio som em si e somente depois tentam encaixar a letra, a poesia).
Começou a tocar.
Para ele não havia dúvidas de sua continuidade da amizade com Linda e assim era pra ser mesmo, mais forte. Uma verdadeira amizade é atemporal. Amizade sincera é assim, como a deles, aquela que seu único compromisso é com o bem estar do outro. É fazer saber que se um estiver triste, magoado ou cansado, poderá ligar a qualquer momento e se fazer estar junto.
"Xis" ensaiava aquela música e encaixava a letra.
Não espera que ela respondesse, correspondesse ou gostasse.
É só essa necessidade de"xis" de escrever, se abrir e escancarar...
Na vã fragilidade de quem se entrega ele foi contando seus pedaços no ritmo daquela sua música com melodias tão marcantes.
"Xis" não conseguiria abraçar uma outra mulher daquela forma. Se ele não sabia querer a Linda ao meio, é porque tinha essa mania de querer tudo por inteiro...
E na tensão dessa intensidade tão dele, ele escreveu aquela letra não para Linda ler, e sim para saber o quanto se perde no longo caminho entre a saudade e o papel...
Batem a porta de "xis":
"- Nossa, o que será que a magrela quer agora, já passa da meia noite. (magrela é o apelido que ele deu a "tess", sua colega de trabalho).
Ele deixa o violão no guarda-roupa e, com toda a tranquilidade, vai até a porta e descobre que não era a magrela quem batia a porta e sim a menina de branco.
"- Surpresaaaaaaaaa!!!!!!!
"Xis" meio que paralisou, ofegou, suou frio e disse:
"- Nossa, o que você está fazendo aqui a essa hora? Aconteceu alguma coisa? Como descobriu que esse é meu quarto? Nossa, você esta vindo de alguma festa? Está tão assim....."
"- Assim o que??? Fala.... Fala...." - Ela disse quase que de imediato.
"- Ah, deixa pra lá.." - Falou. "Xis tinha essa mania de deixar para o futuro com medo de mudar o presente.
"- Posso entrar?" - Ela disse de uma forma tão doce e apaixonante, contradizendo seu ato ao travar a porta com seu pé direito, com medo que "xis" a fechasse repentinamente.
"- Sabe, acho que não seria uma boa idéia, já é tarde, amanhã tenho reunião as cinco e meia" - Falou sem conseguir olhar para os olhos dela.
"- Ah foda-se" - Ela gritou enquanto forçou a porta para entrar, e ficar.
E no meio desse amor desencontrado, a carência de olhares o exigiu demais.
O tempo nunca se fez tão necessário, mas o beijo nunca se fez tão urgente. Talvez a essência e o excesso, talvez a falta.
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