terça-feira, 28 de setembro de 2010

Obrigado Ana Clara!

Na postagem anterior vocês leram sobre a ligação de Xis com a casa de apoio as crianças com leucemia, aqui continua:

Sete horas da manhã. "Xis" subiu a escada até o salão de visitas. Embora ela ja tinha sido avisada pela monitora que ele estava alí, não queria que ele a percebesse. Como se ele já não tivesse ouvido seus gritinhos pelo quintal...hehehe.

E lá vem a mineirinha de Montes Claros, de passo miudinho, um chapéu três vezes maior que a cabeça e uma boneca de pano arrastando no chão.

E por mais que ele soubesse que ela estava chegando, ele foi surpreendido quando num pulo só veio parar no seu pescoço. Agarrou-se e pediu para que ele girasse muito rápido. Girou. Até caírem zonzos no chão de tanto rodar.

Caíram e ela continuava ali, firme e forte quase o sufocando com tanto abraço. Quando ele perguntou o motivo de tanto carinho e tanto aperto ela não exitou e disse que era saudade. Saudade. Ela tem quatro anos e entende de saudade. Tanto entende que sabe como matar esse sentimento que vai deixando a gente meio melancólico conforme cresce a falta.

Parava. Olhava. E dá-lhe mais abraço. E ficou ali por tanto tempo que nem cabia em "xis" de tanta alegria. Sabida essa pequena! Quando cansou do abraço pediu 'cheirin'. O tal do carinho com a ponta do nariz que ela tanto ri quando ele faz.

Mais uma vez abraçou. E quando já era a hora de "xis" ir embora, trabalhar, sorriu meio tristinha. Ela também já aprendeu que a saudade aperta quando ainda nem tem ausência, mas se sabe que vai ter.

Ele sempre a tratou como se fosse a última vez. Porque, na verdade, poderia mesmo ser. E como sempre há algo que nos esquecemos de dizer quando vamos embora, o telefone tocou, agora pouco, hoje mesmo e era ela.

Falou uns cinco minutos sem que "xis" conseguisse entender nada. Lembra apenas de ter ouvido algo sobre a escolinha que fazia tempo que não ia, o aniversário do irmão que não pode ir, uma comida qualquer que não pode comer por causa dos efeitos do tratamento. Palavras soltas. Fez silêncio. E falou de saudade. Que não gostava de telefone porque não dava pra sentir o 'cheirin'... Pediu para que "xis" voltasse...

Aprendeu cedo, muito cedo... Aprendeu o que é saudade, o que é matar a saudade e o que é tentar enganar a saudade e descobrir que não adianta, ela vai continuar ali. Quatro anos e já entendeu da vida coisas que até hoje nem eu entendo bem e que muitas pessoas nunca vão entender... E é disso que "xis" tanto fala, tanto mesmo.

Só esperamos que hoje não seja o último dia dela conosco aqui. E "xis" espera que não tenha cometido o erro de não voltar no mesmo instante que Aninha pediu.

Aninha foi para pertinho de Deus, acho que foi dar um "cheirin" nele, ela foi mesmo no outro dia. Já me dá saudades.

Hoje eu, como expectador, aprendi uma lição. Aprendi que todos os dias temos o tempo de vinte e quatro horas para dizer o quanto amamos alguém, o quanto esse amigo nos faz falta, o quanto o amor nos faz falta.

Podemos usar nosso tempo para amar e dar amor ou podemos usar o tempo para para dizer a alguém que ele nunca valeu de nada para nós.

Eu prefiro a primeira opção e a Aninha também.

Obrigado Ana Clara!

Um comentário:

  1. Eii XIS...que postagem mais linda!
    Uma pena que nao conheci essa minha conterrâneazinha!
    Será que aprenderia isso mais profundamente com ela também?
    É isso...ja estou te seguindo aqui tbm!
    Beijo

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