Acordou novamente em cima da hora.
Na noite anterior Linda e "xis" trocaram palavras pelo messenger rapidamente. Muito rápido mesmo. Ela escondia seu desejo de estar alí, junto. Ela estava contradizendo sua própria vontade pelo bem de sua tentativa de se recompor com "mike". Ela precisava desligar o msn, sair, abandonar seus desejos mais sinceros. Fugir. Simplesmente fugir mas não tinha pra onde ir.
Sabe aqueles dias que você só pensa em dormir para ver se ele passa mais rápido? Depois que ela reatou com "mike" ela assim que se sentia, era estranho, ela sabia que não sentia a mesma coisa por ele, mas insistia. E quando estava sozinha uma energia estranha, mas familiar, dava a impressão de estar acompanhada.
Ela não tinha muito tempo, correu e arrumou as coisas de sua menininha. Um beijo.
A quilômetros de distância, "xis" acordou com aquele perfume em sua face, aquele travesseiro verde insistia em lembrá-lo que estava sozinho. Ahhh e que perfume. Um perfume que tinha cor, marrom, a mesma de sua lingerie, com detalhes metálicos. Por vezes "xis" se traia com essa lembrança.
Linda, continuava sentindo que não estava sozinha. Ela ainda não tinha dado importância ao presente que estava recebendo, sensação. Afinal, não tinha pensado tão além do que conseguia ver, mas sabia que estava acompanhada, tinha certeza.
Aquele dia ela decidiu pegar o ônibus. Olhou pela janela, pensamentos se materializavam.
Quando o onibus parava em algum ponto, ela fixava seus olhos perdidos em algum casal e pensava, pensava e pensava. "- Oh Deus, tende Piedade!" (e tem, como tem!). Inserções dualistas de palavras aqui escritas, com o mesmo objetivo. Afinal ela está presente.
Linda buscava respostas, iniciou com um livro, avançou ao lado de "xis" e agora ela não quer acreditar, mas a buscas pela ligação com sua "Piedade" se fazem mais fortes, mais presente.
Em doses homeopáticas, ela se arrependia em ter deletado todas as mensagens de "xis" do celular. Mas precisava ser assim não é mesmo? Afinal apagando as mensagens do telefone ela poderia interromper a continuidade da correnteza de perguntas que "mike" estava louco por fazer.
Linda se perguntava sobre a continua presença de "xis", por que ele ainda se fazia tão presente? Linda precisava de uma só pessoa com ela naquele momento, "Piedade".
Não é coincidência quando a "Piedade" se faz presente em nós.
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