Manhã de um domingo de inverno na praia. Linda não acreditara por ainda estar viva. Percebeu seu coração dilacerado, como se voltasse de uma guerra. No outro extremo, concreto.
O sol brilhara da mesma forma para ambos, o ar que respiravam materializava os sentimentos, mas de uma forma diferente.
Aos poucos ela lembrou que a noite de sábado foi tempestade. Tempestade de palavras, mais uma vez vazias, mas as quais não foram sepultadas. Tempestade que aparece de repente, na porta de seu apartamento, "mike" a esperava.
Linda sentia que ainda poderia ajudá-lo, mesmo sabendo que perderia sua própria felicidade, porque a vida é assim, ia deixar seu Amor Verdadeiro escapar. Era o risco que ela teria que correr. Talvez o medo do incerto edificou. Era um jogo de palavras, Para Ambos Unirem Linhas Antagônicas as quais seriam as únicas responsáveis pela traição. Eram pintas de areia em seu rosto.
"Xis" estava em meio do nada. Entre o barulho de máquinas e motores, uma voz ao seu ouvido. Não era ela, mas uma voz tão feminina quanto (seus "chutes" vinham dessas vozes).
Uma voz suave, mas ao mesmo tempo firme, de quem sabe o que diz, do que faz. Ele tentou se concentrar em meio a poeira e o Sol que o castigava.
Ela se apresentou, a mãe de Linda o escolhera para se fazer presente. Ele já tinha ouvido essa voz antes, mas agora ele entendia tudo, ou quase tudo.
Ela dela a voz, de alguma forma ecoava em sua mente fazendo-o enxergar as próximas horas do dia e o final de semana. Orientava a manter a calma, a paciência. A voz o confortava, trazia a paz. Agora ele sabia a origem de tantas informações sobre Linda. Estava claro, estava revelado, mas ela pedia segredo de seu manifesto. Precisava ser forte.
Enquanto isso, a dor de cabeça era tamanha, que não permitia Linda raciocinar. Achou por bem deixar a segunda-feira chegar.
A voz dizia frases que mais parecia um poema. Ela dizia a "xis": "-Você é o que ninguém vê."
Minha filhota com o sorriso largado, o choro baixinho. O pêlo arrepiando, e o arrepio que só você sente quanto me sente.
A falta que voce me faz, uma sensação de queda livre. O vento no cabelo.
A alegria de estar aqui, o medo de morrer, a alegria, a saudade, a falta de uma foto contigo, enfim, o medo.
A ansiedade um mês antes, o alívio um segundo depois.
O não se reconhecer, mesmo olhando-se no espelho, espelho que trai cada milímetro do corpo, cada milha de distância.
A solidão do cigarro, a companhia dos fantasmas, a loucura desenfreada, a sanidade comedida
A música alta, o silêncio ensurdecedor. A essência e o excesso, a falta.
E o que mais a deixa assim, tão assim, é que quando ela ver o sorriso no rosto de "mike", verá o sorriso de "xis" mesmo assim, em qualquer lugar.
Já se foi, amanheceu e "xis" procurou dormir e torcer para no outro dia acordar. E chegou a hora de ir embora, como a bruma com perfume jasmim no sereno da madrugada. Sabe aquele perfume que te faz lembrar? Pois é, "xis" sairá de cena, e irá viajar, precisa se achar, precisa esquecer, deixar Linda te esquecer. Japaratinga sempre lhe deu boa sorte. Força Sempre!!!
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