segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Bom dia Amor

Sabe, das coisas mais bonitas que Linda disse ao "xis", de todas as declarações de amor, de todos os SMS, incontáveis mensagens, doces mensagens, de tudo que ela disse olhando nos seus olhos, o que mais ele gostava de ouvir era o 'bom dia'.

Porque era simples, porque era espontâneo e Linda ainda tinha aquela voz meio arrastada de sono.

E mesmo longe de "xis", quando Linda em seu quarto tentando se desvencilhar do lençol e correndo para o banheiro com a toalha na mão, percebia que estava sempre atrasada. Mas entre o relógio despertando e a urgência de preparar a sua doce menininha, Linda parava de repente, sorria e pensava nele. Se ele adorava? Ô se ele adorava. Excelente. E mais uma vez "xis" se apaixonava.

Ele gostava também daquela noite véspera de feriado de independência. Sem pressa pegaram a estrada. E Linda o acordara no feriado com aquele bom dia sussurrado. O romantismo de Linda nunca foi aquele de filme, com direito a rosas pelo quarto ou café na cama, mas mesmo assim era bom, porque "xis" a completava com o dele. Era bom tudo isso, mas o bom dia sussurradinho, huuuum, muito melhor.

Como quem implora para não parar de amar antes das três da tarde, Linda ia esticando o braço e o envolvia e com seu corpo ainda molinho de sono ia deixando por conta de "xis". Pra sempre.

Ele se acostumou com o bom dia apertado em um quarto de hotel. O bom dia cansado da noite anterior. O bom dia que se prometia boa noite, porque logo mais eles ficariam juntos de novo e de novo e de novo. Ele ainda sente falta de tanta coisa. Mas a lembrança do bom dia é que dói em "xis". Dói quando sua noite não tem a Linda com seu corpo de 1,57m ocupando sua cama pela manhã, nem o beijo apressado quando a deixava nas madrugadas em frente ao seu apartamento.

De todas as promessas e juras de amor eterno, o bom dia de Linda valeu mais. Porque era o mais sincero, era íntimo, era só deles dois até mesmo quando Linda disse que tinha que dar mais uma chance ao seu ex namorado "mike". Era Linda prometendo ao "xis", feito gente grande a uma criança, que tudo ia dar certo. E "xis", criança, acreditava. E se doava. E se não doasse, Linda estava com "xis" mesmo assim. E estaria na manhã seguinte. E a certeza de que seria assim pelo resto de suas vidas, fazendo do seu dia sempre o melhor dia. Felicidade plena.

"Xis" ensinando Linda a ser feliz. De pensar mais nela própria, eliminar sua miopia em acreditar que a melhor escolha nem sempre é a mais fácil, mais cômodo, mais rápida, pelo simples fato de achar que ainda precisava ajudar "mike". E ele, no fundo, sabia que isso ainda se fazia necessário. A "Piedade" já havia dito. Mas dito por não dito, a decisão não era da "xis", ele não poderia mudar a ordem dos fatores.

No fundo ela sabe que era uma fuga voltar com "mike", não era uma aposta. Era apenas ter a certeza de que ela tentou o que tinha de tentar. Sepultar definitivamente tudo isso. Ela sabia disso. E "mike" não era suficiente para ela e ele também sabia disso. "Mike" apenas surtou em dizer tudo aquilo pelo simples fato de perdê-la para um outro alguém.

O mais dificil ainda estará por vir, porque ela perceberá, em breve, que o seu bom dia só tem poder com "xis", porque assim estava escrito.

Isso mesmo, o bom dia de Linda tinha poder. Tinha o poder de cessar suas próprias dores de cabeça, massacrantes. Quando Linda estava em paz com "xis", estava com ela mesma.

E naquela manhã, "xis" nem teve tempo de contar a melhor noticia da segunda-feira. Mas nem deu tempo. Ouviu mais do que eu poderia dizer, foi mais sincero do que imaginara poder ser.

De qualquer forma, "xis" saiu feliz, mesmo a deixando ir, afinal era uma escolha de Linda, seu mais sincero desejo (será mesmo?), mas tendo a certeza do seu retorno, em muito breve, porque é raro as pessoas mudares completamente, porque "mike" sabe que não a ama verdadeiramente.

E "xis" não a odiava por isso, porque sabia valorizar suas decisões. Isso mesmo. É valorizar sabe, é fazer ver que ele ainda acreditava nela, mesmo sem saber até quando. Que ele apostava nela. Mulher pé no chão. E Fica claro que "xis" a Ama, porque só assim ele conseguiria sentir Linda por perto, sempre. "Xis" era seu verdadeiro amigo, o mais sincero, o mais honesto, não porque fora seu homem, mas porque estava comprometido com seu bem estar, com sua amizade, seu confidente.

E ela não precisava se preocupar quanto ao bem estar de "xis", ele sabia se virar, mas de fato porque ela sabia que estaria deixando ele temporariamente livre. E isso a incomodava, porque sabia que sua escolha envolveria uma reconsquita, coisa que ela nunca havia tentado com alguém.

E nesse momento, "xis" pensou alto, sozinho:

"-Ah, Linda, já que estou aqui, vou dizer que decidi me lembrar de você quantas vezes eu tenha vontade, mesmo sem você me permitir, e se eu ligar qualquer manhã dessas ou te mandar uma mensagem de boa noite, me perdoa, por favor.

É esse costume que eu tenho de ser feliz que não me vai embora."

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