quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Quando vejo você alí...

Catete, Rio de Janeiro, chuva num final de semana qualquer.

Ela acorda com aquela carinha de quem não gosta muito do que vê, meio dia. A escorpiana e nova moradora quase volta para cama, se enche de coragem e vai na janela do seu apartamento.


Geralmente só aumenta a saudade que sente dentro do peito, aquela de verdade.

Mas naquele dia choveu, e como choveu. E choveu diferente… molhou devagar, ritmado. Deu pra sentir um vento fresco entrando sob a cortina e deu vontade de sorrir, e ela sorriu.

A chuva continuou caindo durante o dia e noite a dentro, acho que pela primeira vez ela gostou de estar alí, embora no fundo, eu saiba que preferia estar lá, em outro lugar.

Eu caminhando pela calçada, olhei para cima, a vi na janela, fiquei uns dois minutos olhando e cheguei até a sentir frio, lá estavam os prédios que tanto me atrapalham durante o dia, pareciam mais doces agora, uma arquitetura fantástica, com ela tudo se completava sob a luz de uma cidade que nunca dorme e sob a água que lavava com calma e com gosto.

Nem a conheço bem....mas ja conheço seu cheiro, fico bem quando se faz presente.

E quer saber......eu alí pensando em tudo isso.....na chuva....percebi que as coisas mais especiais devem continuar assim.  

Extraordinárias.

Fora da ordem.

Inatingíveis pela mesmice da rotina, intangíveis pelas incertezas e dúvidas. Deixemos então, que elas continuem como são, essencialmente especiais.

E por uma noite eu amei aquela rua do Catete.

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