Sabe, das coisas mais bonitas que Linda me disse, de todas as
declarações de amor, de todas as incontáveis mensagens, doces
mensagens, de tudo que ela disse olhando nos seus olhos, o que mais ele
gostava de ouvir era o 'bom dia'.
Porque era simples, porque era espontâneo e Linda ainda tinha aquela voz meio arrastada de sono.
E
mesmo longe, quando Linda em seu quarto tentando se
desvencilhar do lençol e correndo para o banheiro com a toalha na mão,
percebia que estava sempre atrasada.
Mas entre o relógio despertando e a
urgência Linda parava de repente,
sorria e pensava. Se eu adorava? Ô se eu adorava. Excelente. E
mais uma vez eu me apaixonava.
Eu gostava
também daquela noite véspera de feriado de independência.
Sem
pressa pegamos a estrada. E Linda acordara no feriado com aquele bom
dia sussurrado.
O romantismo de Linda nunca foi aquele de filme, com
direito a rosas pelo quarto ou café na cama, mas mesmo assim era bom,
porque eu a completava. Era bom tudo isso, mas o bom dia
sussurradinho, huuuum, muito melhor.
Como quem implora
para não parar de amar antes das três da tarde, Linda ia esticando o
braço e o envolvia e com seu corpo ainda molinho de sono ia deixando por
minha conta. Pra sempre.
Eu me acostumou com o bom
dia apertado em um quarto de hotel.
O bom dia cansado da noite
anterior.
O bom dia que se prometia boa noite, porque logo mais ficariamos juntos de novo e de novo e de novo.
Ela ainda sente falta de
tanta coisa. Mas a lembrança do bom dia é que dói.
Dói
quando minha noite não tem a Linda com seu corpo de 1,57m ocupando sua
cama pela manhã, nem o beijo apressado quando a deixava nas
madrugadas em frente ao seu apartamento.
De todas as
promessas e juras de amor eterno, o bom dia de Linda valeu mais.
Porque
era o mais sincero, era íntimo, era só nosso.
Era Linda prometendo feito gente grande a uma criança, que
tudo ia dar certo. E eu, criança, acreditava.
E se doava.
E se não
doasse, Linda estava comigo mesmo assim. E estaria na manhã seguinte.
E a certeza de que seria assim pelo resto de suas vidas, fazendo do seu
dia sempre o melhor dia. Felicidade plena.
Eu ensinando Linda a ser feliz.
E nesse momento, eu pensei alto, sozinho:
"-Ah,
Linda, já que estou aqui, vou dizer que decidi me lembrar de você
quantas vezes eu tenha vontade, mesmo sem você me permitir, e se eu
ligar qualquer manhã dessas ou te mandar uma mensagem de boa noite, me
perdoa, por favor.
É esse costume que eu tenho de ser feliz que não me vai embora."
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