sexta-feira, 3 de outubro de 2014

É esse costume que eu tenho de ser feliz que não me vai embora.

Sabe, das coisas mais bonitas que Linda me disse, de todas as declarações de amor, de todas as incontáveis mensagens, doces mensagens, de tudo que ela disse olhando nos seus olhos, o que mais ele gostava de ouvir era o 'bom dia'.

Porque era simples, porque era espontâneo e Linda ainda tinha aquela voz meio arrastada de sono.

E mesmo longe, quando Linda em seu quarto tentando se desvencilhar do lençol e correndo para o banheiro com a toalha na mão, percebia que estava sempre atrasada.

Mas entre o relógio despertando e a urgência Linda parava de repente, sorria e pensava. Se eu adorava? Ô se eu adorava. Excelente. E mais uma vez eu me apaixonava.

Eu gostava também daquela noite véspera de feriado de independência.

Sem pressa pegamos a estrada. E Linda acordara no feriado com aquele bom dia sussurrado.

O romantismo de Linda nunca foi aquele de filme, com direito a rosas pelo quarto ou café na cama, mas mesmo assim era bom, porque eu a completava. Era bom tudo isso, mas o bom dia sussurradinho, huuuum, muito melhor.

Como quem implora para não parar de amar antes das três da tarde, Linda ia esticando o braço e o envolvia e com seu corpo ainda molinho de sono ia deixando por minha conta. Pra sempre.

Eu me acostumou com o bom dia apertado em um quarto de hotel.

O bom dia cansado da noite anterior.

O bom dia que se prometia boa noite, porque logo mais ficariamos juntos de novo e de novo e de novo.

Ela ainda sente falta de tanta coisa. Mas a lembrança do bom dia é que dói.

Dói quando minha noite não tem a Linda com seu corpo de 1,57m ocupando sua cama pela manhã, nem o beijo apressado quando a deixava nas madrugadas em frente ao seu apartamento.

De todas as promessas e juras de amor eterno, o bom dia de Linda valeu mais.

Porque era o mais sincero, era íntimo, era só nosso.

Era Linda prometendo feito gente grande a uma criança, que tudo ia dar certo. E eu, criança, acreditava.

E se doava.

E se não doasse, Linda estava comigo mesmo assim. E estaria na manhã seguinte. E a certeza de que seria assim pelo resto de suas vidas, fazendo do seu dia sempre o melhor dia. Felicidade plena.

Eu ensinando Linda a ser feliz.




E nesse momento, eu pensei alto, sozinho:

"-Ah, Linda, já que estou aqui, vou dizer que decidi me lembrar de você quantas vezes eu tenha vontade, mesmo sem você me permitir, e se eu ligar qualquer manhã dessas ou te mandar uma mensagem de boa noite, me perdoa, por favor.

É esse costume que eu tenho de ser feliz que não me vai embora."

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