Porque era simples, porque era espontâneo e Linda ainda tinha aquela voz meio arrastada de sono.
E mesmo longe, Linda em seu quarto tentando se desvencilhar do lençol e correndo para o banheiro com a toalha na mão, percebia que estava sempre atrasada.
Mas entre o relógio despertando e a urgência, Linda parava de repente, sorria e pensava nele. Se ele adorava? Ô se ele adorava. Excelente. E mais uma vez se apaixonava.
Ele gostava também daquela noite véspera de feriado de independência. Sem pressa pegaram a estrada. E Linda o acordara no feriado com aquele bom dia sussurrado.
O romantismo de Linda nunca foi aquele de filme, com direito a rosas pelo quarto ou café na cama, mas mesmo assim era bom, porque ele a completava. Era bom tudo isso, mas o bom dia sussurradinho, huuuum, muito melhor.
Como quem implora para não parar de amar antes das três da tarde, Linda ia esticando o braço e o envolvia e com seu corpo ainda molinho de sono ia deixando por conta dele. Pra sempre.
Ele se acostumou com o bom dia apertado em um quarto de hotel.
O bom dia cansado da noite anterior. O bom dia que se prometia boa noite, porque logo mais eles ficariam juntos de novo e de novo e de novo. Ele ainda sente falta de tanta coisa. Mas a lembrança do bom dia é que dói.
Dói quando sua noite não tem a Linda com seu corpo de 1,57m ocupando sua cama pela manhã, nem o beijo apressado quando a deixava nas madrugadas em frente ao seu apartamento.
De todas as promessas e juras de amor eterno, o bom dia de Linda valeu mais. Porque era o mais sincero, era íntimo, era só deles dois.
Era Linda prometendo feito gente grande a uma criança, que tudo ia dar certo. E ele acreditava. E se doava. E se não doasse, Linda estava com ele mesmo assim. E estaria na manhã seguinte. E a certeza de que seria assim pelo resto de suas vidas, fazendo do seu dia sempre o melhor dia.
Felicidade plena.
Ele ensinando Linda a ser feliz. De pensar mais nela própria, eliminar sua miopia em acreditar que a melhor escolha nem sempre é a mais fácil, mais cômoda, mais rápida.
Isso mesmo, o bom dia de Linda tinha poder. Tinha o poder de cessar suas próprias dores de cabeça, massacrantes. Quando Linda estava em paz, estava com ele.
E nesse momento, ele pensou alto, sozinho:
"-Ah, Linda, já que estou aqui, vou dizer que decidi me lembrar de você quantas vezes eu tenha vontade, mesmo sem você me permitir, e se eu ligar qualquer manhã dessas ou te mandar uma mensagem de boa noite, me perdoa, por favor.
É esse costume que eu tenho de ser feliz que não me vai embora."
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