segunda-feira, 10 de junho de 2013

Às vezes eu me dava conta da sua ausência e às vezes não.

Eu fui apaixonado por você e acho que já te disse isso algumas vezes.

Quis você de todos os jeitos. Quis você chata, quis você apaixonada, quis você egoísta, quis você rindo, quis você debaixo da minha coberta, quis você comendo chocolate de manhã e queimando a língua com batata frita.

Quis você de conchinha e quis você na puta que o pariu também.

Quis você acordada e dormindo; reclamando da distância do meu trabalho ou da minha casa e indo cada vez mais pra longe.

Quis que você durasse pra sempre igual aquele sorvete que tomamos juntos e que nem deu tempo de derreter tamanha a urgência, ao contrário de nós.

Tive medo, criei expectativas altíssimas, me decepcionei, desconstrui todas as expectativas, sofri mexicanamente, chorei, virei um alguém com pedra de gelo o lugar do coração, desfiz relacionamentos onde a razão me dizia que eu seria feliz, mas quem liga pra razão?

Eu só seria feliz com você e ponto e tatuei isso em alguma parte não física da minha existência. Eu só seria feliz com você.

Você era tudo que eu queria e o que eu não queria também. Alguém que eu idealizei lindamente (sem trocadilhos rsrsrs), que eu construi com areia e água, e que na hora certa destruí com um golpe certeiro bem no meio do peito.

Eu sabia que você era menos, mas eu quis ficar mesmo assim. Eu quis viver com o menos, quis que me quisesse igual, e você nunca me quis igual, nem mais.

Eu amei cada curva que descobri em suas linhas retas, naquelas poucas horas em que esteve ao meu lado.

Eu amei cada respiração descompassada, eu amei cada sorriso, eu amei a sua mão chamando a minha pra ser só dela, eu amei intensamente cada ponto e vírgula que você colocou entre nós.

Eu amei e odiei em igual intensidade. Quis perto e quis longe em igual intensidade. Quis o 8 e o 80 em igual intensidade. Porque nós somos assim 8 e 80.

Eu te amei e amo ainda do meu jeitão. Já quis desistir de te amar quatro mil e duzentas vezes, mas essas coisas não são assim tão fáceis. Desisti de te odiar e consegui.

Eu queria que você fosse minha e só minha, por um dia ou uma vida ou o tempo que fosse.

Eu apenas tentava te esquecer, só que isso não fazia você morrer, pelo contrário, seus gritos me acordavam no meio da noite, a saudade.

Ah a saudade.

Talvez tenha me faltado a coragem idiota de mostrar pra você, com atitudes não tão complexas,

que era isso mesmo que eu queria e assim fui me escondendo atrás do medo, de armas de fogo, de desculpas infantis e infinitas, de outros amores que na verdade nunca foram amores,

porque era por você que meu coração dava cambalhotas e sofria paradas, era pra você que eu sorria mesmo você não estando ali;

era com você que eu brigava nas várias noites que eu sentia minha cama fria; era pra você que eu contava do meu dia chato.

Às vezes eu me dava conta da sua ausência e às vezes não.

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