Aí foi quando percebi que eles não pegaram pela mão quando quiseram, eles esconderam suas mãos quando foram necessários.
Eles nem se tocaram. Eles não se permitiram, eles não queriam ou não deixaram. Eles dois não fazem mais diferença.
Eles não fizeram sonhar, eles não se tornaram bons amigos. Eles caminhavam - um de cada lado - pra se evitarem.
Eles deixaram espaços, abismos, vãos, para que o que vale a pena, continuasse valendo a pena, ainda que só na saudade. Eles deixaram a porta escancarada demais. Eles não souberam. Quase nada. São só eles.
Eles não deixaram uma foto. Um restaurante preferido, um porre histórico. Não deixaram uma camiseta, uma boxer, não esqueceram perfumes no travesseiro.
Eles não criaram roteiros impossíveis, não desenharam um amanhã mais bonito. Não fizeram planos, não guardaram dinheiro para comprar o cantinho só deles.
Não ficaram até o Sol nascer.
Não deixaram a doçura de carinho, um jeito bonito de sorrir.
Não deram nenhum melhor abraço. Não me deram dois anos de sorrisos ou três meses de um pra sempre.
Não inspiraram por muito mais do que versos que pareciam precisar de justificativa.
Foram embora. Porque nunca haveria lugar aqui.
Eles me deram asas e um leve empurrão. E eu fiquei pronto pra voar.
Eles? Não sei. Terceiras pessoas de um plural qualquer.
Aos que não se fizeram inesquecíveis, meu muito obrigado.
E como diz a música: "...se juntar cada verso meu e comparar vai dar pra ver que tem mais você do que nota Dó...."
Mais ou menos assim:
Música pelo texto publicado originalmente: http://www.folhaslaranjas.blogspot.com.br/2010/09/msn-messenger.html
(beijos Clarice).
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