E naquele dia de fevereiro que ainda nem chegou, com toda essa falta e esses reencontros eu fico me doando à toa, pra satisfação da caneta e papel. Satisfação e desespero do coração que não sabe que rumo tomar: se corre, se fica, se espera alguém se decidir e vir junto…
Sabe Linda, nós queríamos zerar esses últimos meses. Fingir que nada sentimos, que não me apaixonei por sorrisos, cheiros e nem das músicas que deveria guardar só pra mim. Mas aí me lembro desses mesmos sorrisos e cheiros e vêm a sensação de que nenhum coração a salvo vai ser melhor do que os sorrisos que me roubaram e os perfumes que ficaram em mim.
Talvez, eu só precisasse aprender a lidar melhor com as lembranças. Parar de achar que todos na cidade também apagam a luz, mas continuam acordados quando o dia já está quase raiando. Parar de achar que as pessoas nutrem saudades por sorrisos e cheiros. Parar de achar que a cidade ouve as mesmas músicas que eu e fixam o pensamento no mesmo momento que eu nunca esqueci.
Linda, preciso parar de achar que essas saudades gostariam de ter ficado por mais que uma madrugada, por mais do que umas poucas horas. Preciso aceitar certos perdões e me livrar de culpas. Preciso parar de escrever no plural, quando o coração bem sabe que eu estou falando de um. Assim. No singular.
E mesmo depois de tudo isso, sentir seu corpo tremer e as mãos transpirarem...
Lindo Xis, esperei tanto e nao me arrependi, lindo texto.
ResponderExcluirJuliana - Guarujá/SP