quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Porque saudade é assim, sem ela a boa lembrança não existiria.

Xis entrou o taxi e no caminho percebeu que sempre quis a vida que no encontro de duas ruas morasse pra sempre a memória de um desencontro.  E para que a tristeza, que já não era pequena, fosse ainda maior, a esquina é dessas que fica no caminho das velhas estradas de Santos.

Evita. Quando necessário, cruza a cidade com pressa. Às vezes, se é caminho obrigatório, acaba por procurá-la no meio de todas aquelas janelas.

O coração num aperto de saudade lembrando dos tempos que estar ali era prenúncio do abraço, do fim da vontade, do eu te amo ainda não dito. Boa noite apressado aos casais de corredor e Xis torcendo para o elevador vencer logo seu caminho.

Aquela esperança de receber o beijo ao encontrá-la esperando na porta.

Sempre Xis pede para os taxistas desviarem, e eu também peço. Os mais discretos nem questionam, alguns perguntam o porquê e ele finge que não ouve. Compreendem a indelicadeza e não insistem. Desviam.

Mas o pensamento de Xis, não.

E mentalmente refaz os caminhos que o levavam até ela e que, lamenta, ainda levam. Nunca mais a reencontrou.

No desnorteio desse esquecido reencontro, Xis procura outra esquina. Aquela que me dá colo, aquela na qual Xis não precisa dar explicações. E da Avenida dos Bandeirantes até as curvas da estrada de Santos ele tanto se encheu de coragem e cometeu todos os pecados possíveis, um a um.

Por ironia, no vinho carmenére que ela acostumou a gostar a vida vai passando sobre o jardim de flores com suas Folhas Laranjas, porque saudade é assim, sem ela a boa lembrança não existiria.

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