sábado, 5 de fevereiro de 2011

...a noite fica Linda, as Folhas Laranjas e a Lua mais jasmim.

Você já percebeu que tudo tem o seu exato momento interplanetariamente certo? Se eu demorasse mais quarenta segundos ela teria subido naquele ônibus.

Segundos! Isso mesmo, segundos que somados viram uma vida!

Quantas coisas perdemos e ganhamos em questões de segundos. Uma batida de carro, um assalto, uma pedra no parabrisa vindo do caminhão da frente, o policial rodoviário que pede para encostar, uma cantada não feita porque chegou aquele cara e já foi logo abraçando-a (é quando percebe que tem namorado).

(aproveitando deixo aqui um desafio aos leitores: tentar lembrar o que já perderam ou ganharam em questões de segundos rsrssr - postem nos comentários!!! rsrs).

Mas na noite de ontem os meus segundos foram organizados pessoalmente por Ela, minha protetora.

No cronômetro: Na estrada meu estômago brigou comigo, era a fome. Eu sabia de logo após o pedágio tinha um McDonalds.

Parei para lanchar (quinze minutos).

Tempo para escolher meu lanche pelo número (um milésimo de segundo). Ah, a bebida??? Nem preciso escolher né, é automático a moça digitar Coca-Cola rsrs.

"Moça, vai logo, não tenho muito tempo" - pensei

A moça do caixa estava sem troco (três minutos) - (ah, detesto usar cartão, já foi clonado três vezes).

De volta a estrada, uma kombi 1972 (aquela branca sabe) entrou na minha frente e assim ficou por 6 quilometros (uns 8 minutos).

Logo no primeiro semáforo da cidade (ali no cruzamento da avenida nossa senhora de Fátima) aquele cara fortão de calça com suspensório vendendo sonho de valsa não tinha troco para a moça do carro da frente (mais 3 minutos e o semáforo fecha novamente).

Quando entrei na cidade passei por mais duas dezenas de semáforos, alguns abertos e outros fechados (dezesseis minutos talvez).

E, pela primeira vez, entrei na avenida errada e precisei fazer o retorno lá mais adiante (lá se vão mais quatro minutos).

Do outro lado da avenida a feliz surpresa. Elas estavam num ponto de ônibus prestes a embarcarem. Eu dei meia volta (menos de 40 segundos), parou o carro e abriu a janela.

- "E se eu não estivesse aqui, já estava de saída" - ela disse com aquele sorriso espontâneo e automático enquanto aguardava o ônibus.

- "Ah, eu não iria chamar você mesmo, eu iria colocar o livro na caixa de correspondência" - (MENTIRA, MENTIRA eu nem sei mentir!!! - eu sabia que iria revê-la naquele lugar e naquele momento, era um chute, não sei ao certo explicar, mas eu já sabia).

Na verdade eu queria era mesmo dizer:  - "Ah, eu queria mesmo te dar uma carona, quer saber, vamos sair pra jantar de mãos dadas e assumir essa coisa logo e fazer o nosso futuro de forma definitiva" (custava dizer o que realmente estava pensando???)

O amor é algo tão grandioso que se manifesta até mesmo quando você não pode se manifestar rsrs.

E parece que quanto mais alguém te proibe de sentir esse amor, aí é que é foda mesmo rsrssr, parece que brota do fundo de nossa alma.

Parece que ele transpira pela mão da gente e outras vezes escapa, meio sem jeito, pelo sorriso de alegria de rever aquela pessoa tão especial mesmo.

Naquele momento, percebi no seu rosto de felicidade que amar é estar disposto a correr riscos, todos mesmo: decepção, da perda, ser mal compreendido, rejeitado, ser surpreendido, de pegar a estrada e correr o risco de elas já terem embarcado no ônibus.

E o mais louco de tudo isso é a recompensa quando tudo dá certo: o próprio amor. Isso mesmo, sempre saímos em busca do nosso grande amor, corrermos inúmeros riscos na vida e quando o encontramos vem a surpresa: o amor do próprio amor.

E ele é assim mesmo, ele não pede nada em troca além do próprio amor de quem se ama.

Na verdade o que eu queria mesmo era de te contar que eu fiquei um pouco mais na cidade naquela noite. Aproveitei para jantar e, naquela noite mesmo, eu peguei a estrada de volta.

E no meio da serra estacionei o carro no acostamento esquerdo, olhei para a baixada e vi aquela cidade linda e iluminada.

Clique na foto para ampliar
Era um visual lindo, sem saber ao certo por onde você estava, mas sei que alí estava. Milhares de luzes acesas e você alí, em algum lugar.

Sabe, eu nem sei por que, mas deu vontade de te chamar, de dar e ouvir o boa noite. Então, sem medo algum, enchi meu peito e gritei seu nome por 3 vezes...

Talvez pelo barulho ou pelo cansaço você não tenha ouvido eu chamar, mas se ouviu acordou e demorou para pegar no sono novamente, lembrando de como você era forte e corajosa.

Sabe, foi bom falar seu nome novamente. Os gritos me lavaram a alma. O mais interessante de tudo isso é que todos nós já sabemos o que vai acontecer. E cá entre nós, é quando minha boca pronuncia seu nome que alguma coisa acontece, reparou?

O amor só faz nascer o amor e só por ele somos capazes de grandes gestos e que nos alimenta a capacidade de perdoar o que for preciso.

Afinal, nosso amor é assim diferente mesmo, é meio amigo, é meio amor. É sorriso.

Só sei que quando fecho os olhos eu vejo você, num ponto de ônibus vestida de branco com aquele sorriso de criança quando ganha presente. E é nesse momento quem que tenho claro em minha mente o que eu quero para minha vida.

Porque nesse tal sorriso espontâneo, ao me ver, mora a soma das nossas diferenças. E nessa pluralidade extraordinária de emoções é que está a grandeza do universo e meu amor por ti. Então pára de besteira e faz um 21 rsrs. E olha que nem contei aqui toda a estória daquela noite, inacreditável.

E eu sei o motivo de fazer tudo isso, porque o seu boa noite tem poder, seja gritando ou em pensamento.

E lá do alto da serra percebi que toda vez que nos encontramos a noite fica Linda, as Folhas Laranjas e a Lua mais jasmim.

"Xis"

Um comentário:

  1. Ai,dificil comentar aqui,tenho a sensação de estar segurando vela,hehehe!Brincadeiras á parte,
    é maravilhoso amar,nõ tem coisa melhor do que poder sentir e visualisar uma lua jasmin!
    E a questão dos segundos a menos ou a mais...sincronicidade!
    Bjss :)

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